Todos os artigos relacionados a Minhas leituras

Comentários e reflexões acerca das minhas leituras, com especial ênfase às participações no Clube de Leitura #leiamulheres de Porto Alegre.


#Leia Mulheres Ao Farol, de Virginia Woolf, é mais um dos livros discutidos no Clube de Leitura Leia Mulheres de Porto Alegre (confere aqui comentários de quem participou). As notas que aqui partilho com vocês foram tomadas durante a leitura e revisitadas depois da troca de impressões que rolou no encontro. Assim, de certa forma, trago além das minhas reflexões os insights, insatisfações e encantamentos que afetaram outros leitores. Houve quem iniciasse o livro de nariz torcido e ao entregar-se ao ritmo poético e cênico tenha se apaixonado, quem entrou na história com olhar de pesquisa, quem não conseguiu empatia com as personagens, mas a sensação geral ao fim da leitura e das conversas sobre ela foi de que valeu o tempo investido. O livro A forma como Virginia decide contar a história de uma família inglesa que atravessa a guerra e a força do tempo deve ter soado estranha na época da publicação. O livro Ao Farol está dividido em três partes, sendo que a central chegou a ser publicada de modo independente* (com alterações relevantes em relação à versão que consta na obra). Durante toda a primeira parte acompanhamos a existência ao mesmo tempo rica e mesquinha de uma família inglesa ocupada com costumes e dissimulações. Na segunda, esta família é dizimada pelo tempo e pela guerra, mas só sabemos disso pelas descrições que a autora nos dá da casa de praia onde encontravam-se na primeira etapa e, o trecho final nos deixa suspensos entre a impossibilidade de comunicação entre as pessoas e a […]

Ao Farol, Virginia Woolf


Um romance-colagem   O livro Opisanie Swiata, de Veronica Stigger, 3º lugar no 58º Prêmio Jabuti,  nos puxa para dentro de uma história permeada de non sense, fatalidade e simbologias nem sempre decifráveis. Impossível não citar a edição primorosa da Cosac Naify. Trata-se de um livro lindo, com cores e tipografia que fisgam e não são mero enfeite, mas fazem parte da forma de contar a história. O livro todo é permeado de imagens antigas que vão de fotografias em sépia a recortes de jornais e anúncios comerciais que se poderia encontrar no caso de refazermos o trajeto percorrido pelas personagens. Impressões de Leitura Através da curiosidade que se instala na leitura da primeira página – um carta ditada por Natanael ao seu médico e endereçada a seu pai, que, logo se descobre, desconhecia sua existência – nos embrenhamos por Opisanie Swiata, intrigados com o que possa significar esse título impronunciável. Mas, logo depois do mergulho inicial, as vezes o ritmo de leitura se quebra, como acontece com a personagem Opalka em uma viagem de trem – ele tenta ler, mas o que acontece ao redor o distrai. As coisas narradas por Veronica algumas vezes me distraíram também – o que, vendo na perspectiva pós leitura, é um efeito e uma relação interessante entre o conteúdo e leitor. A personagem principal não é Opalka, ainda que toda a narrativa se concentre entre a emissão da carta para ele e a viagem – da Polônia ao Brasil – para conhecer seu filho doente. Até o fim […]

Opisanie Swiata – Veronica Stigger


A autora Para escrever o romance A República dos Sonhos, Nélida Piñon se auto exilou em Congonhas do Campo  – MG, no ano de 1980. A edição comemorativa aos 30 anos da obra traz, inclusive, a lista de pertences (bem poucos) que ela levou consigo para a pensão onde cumpriu a rotina intensa que resultou em uma república desvendada a partir da obsessão de um jovem espanhol pela prosperidade na América. A Galícia é justamente a terra de onde o avô de Nélida partiu, junto com seus irmãos, para escapar dos efeitos da guerra. Desde o esboço resultante da estadia em Minas até o trabalho chegar às livrarias, foram oito versões e muita fita de máquina de escrever gasta. Uma República de Sonhos, as vezes desfeitos… Madruga, o patriarca de uma família que experimentou prosperidade, poder e frustrações, veio quase criança da Galícia – região norte da Espanha, para fazer a vida. Na longa travessia do oceado travou uma amizade sólida e imperfeita com Venâncio, um possível andaluz com valores muito diferentes dos seus. Do início do século vinte até suas últimas décadas, acompanhamos o trajeto de determinação, esperteza e dominação que ele imprime em suas relações, sejam profissionais ou familiares. O romance, além de narrar  sonhos e decepções, permite muitas outras leituras – tanto no sentido da interpretação como no literal, pois é livro para ler e reler ao longo da vida. Ao narrar a saga do imigrantes audaz e ambicioso que atravessa o oceano para conquistar fortuna e que, uma vez […]

A República dos sonhos – Nélida Piñon



Impressões de leitura Não me atrevo a chamar de resenha, mas deixo aqui um apanhado de minhas impressões de leitura do livro de Noemi Jaffe que gravei para o canal Entrecontos. Neste video, além de comentar o que mais me chamou a atenção no texto, falo da motivação #leiamulheres, que me impulsionou à compra e à leitura de mais autoras. Confira, sugira outros títulos e partilhe suas leituras também!   Cadastre seu e-mail se quiser receber atualizações e dicas de leitura     

Írisz: as orquídeas – Noemi Jaffe


A literatura digital veio para ficar? Estaremos assistindo uma fase de transição na literatura que vai fazer das obras multimídia  o modelo dominante da produção textual? Ou será que os experimentos de agora serão substituídos por coisa totalmente distinta, a exemplo do que aconteceu com o video laser (quem lembrar disso denunciará sua faixa etária!)? O lançamento de obras criadas pra leitura no meio digital que podem nem ser lançadas em versão impressa (ou, se esta existe, exige grandes adaptações) já não é evento raro, mesmo aqui no Brasil. Assim, mesmo que não possamos (e sequer desejo) fazer prognósticos, vale a pena entender um pouco essa transição do ponto de vista do autor. No caso desse post, autora. Tenho acompanhado desde o início de sua criação, a história do romance multimídia de Claudia Grechi Steiner e achei que valia a pena partilhar aqui com vocês a conversa-entrevista que fiz com ela para entender um pouco mais das motivações e dos desafios que ela enfrentou na criação da obra. Conheça Castelo Schweistein e sua autora A seguir entrevista com a autora da obra de literatura digital, ou romance multimídia, como prefiram, Claudia G. Steiner. MK:  Eu lembro de seus posts no facebook contando que a ideia para escrever Castelo Schweistein veio ao ler um anúncio de jornal. Isso me despertou a curiosidade para a história que surgiria, mas ao acompanhar alguns capítulos e as publicações da Página da obra no fiquei também curiosa em saber se a ideia de desenvolver não apenas o texto […]

Castelo Schweistein – dos classificados à literatura


literatura + tecnologia = tempo melhor usado O Diminuto é um aplicativo de leitura e escrita colaborativa de minicontos. São textos de, no máximo, 750 caracteres disponibilizados gratuitamente para quem baixar o app. A ferramenta foi elaborada com base nas necessidades dos próprios fundadores, que incluiam o desejo de ocupar o tempo livre com coisas mais produtivas que joguinhos ou redes sociais e a vontade de ter uma plataforma de escrita com capacidade de atingir leitores e de oferecer novas opções de leitura. É uma ferramenta de passatempo cultural, que permite a leitura de contos curtos, capazes de se encaixar perfeitamente nos intervalos de uma rotina acelerada e megaconectada. Assim que tomei conhecimento da iniciativa, corri para experimentar. Em poucos cliques já estava pulando de um conto a outro no celular e logo descobri a possibilidade de enviar meus prórpios textos. O e-mail de boas vindas que o novo usuário recebe é tão caloroso e pessoal que me senti muito à vontade para escrever e “xeretar” um pouco mais sobre a história da inciativa bacana. A Déborah Gouthier, uma das responsáveis pelo projeto, que tomou corpo com o impulso do Fundo de Apoio à Cultura de Goiás, foi super gentil e o papo acabou virando a entrevista que agora publico para vocês. minicontos MK – Achei interessante que uma das motivações para desenvolvimento do Diminuto fosse a vontade de um uso mais rico do tempo na interação constante com a tecnologia. Conte-nos um pouquinho mais sobre o desenvolvimento da ideia que culminou na criação do aplicativo. Diminuto […]

Diminuto – Minicontos para qualquer hora



Uma das tantas possibilidades da publicação em e-book é a de dar asas aos heróis que tem iniciativa e disposição para editar e distribuir conteúdo sem finalidades comerciais. Foi o que fez Helena Frenzel ao reunir os textos de 15 escritores brasileiros e editar o 15 contos mais, que está disponível para leitura online e para download em formato ePub aqui. Como o arquivo não tem DRM, permite a conversão para o formato mobi (para leitura no kindle) com o uso do software gratuito Calibre. Sabemos que existe um volume consideravelmente grande (para não dizer absurdo) de novos autores querendo ser lidos, mas que sem um canal ou interlocutor que os avalize previamente, enfrentam a dificuldade de chegar diretamente aos leitores que não os conhecem. Daí a importância do trabalho de edição, neste caso feito por puro e exclusivo amor à literatura e à leitura. O leitor que busca por novidades, não precisa confiar apenas na auto declaração do autor, houve um trabalho de garimpo e edição que funciona como aquelas utilíssimas indicações de leitura que recebíamos dos amigos, lembram? Todo mundo que gosta de ler sabe do que estou falando… Isso certamente ajuda a driblar a desconfiança que se possa ter com  as publicações independentes, especialmente as gratuitas. Como não sou exceção, a indicação da Helena foi um motivador para iniciar a leitura (o tempo é escasso e, parafraseando um amigo que fala de vinhos, digo sempre que a vida é muito curta para lermos livros ruins), mas ainda assim, antes de me dispor a ler o e-book na íntegra, fiz uma amostragem para […]

Quinze contos mais